Quinta-feira, Junho 18, 2009

Capas de Discos

Certamente que a capa deste disco, da nórdica Silje Nergaard «A Thousand True Stories» é uma das mais belas vista por este que vos fala, no ano que corre. O disco é secundário - composto daquelas musiquinhas que enchem os barzinhos modernos do Bairro Alto - mas a capa é um show à parte. Optima para impressionar aqueles amigos leigos que julgam discos pelas capas.

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Sente o drama: Pixies Minotaur Deluxe Edition

Dá até para tentar a sorte e ganhar um destes, aqui.

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Prepúcio Recomenda: Be Your Own Pet

Pronto, ja deixei o disquinho dos Los Campesinos! de lado...

Melhor música do ano, já?

Eles nem tem disco ainda, apenas três belas cançonetas. É hit no Incógnito e hype nos bas-fond londrinos são autores do hit - e do refrão - mais delicioso do ano!

Directos do Rio: Glass and Glue


Pelo que li pelos blogues da vida, os Glass and Glue bandinha indie-pop nascida no Rio de Janeiro estão bombando na cena underground carioca já há algum tempinho. Fui ouvi-los no MySpace da banda e gostei muito. A primeira da lista "Bipolar" é uma pedrada arrasa-quarteirão e "Good Enough" me fez lembrar tanto dos Hole do primeiro disco que até deu vontade de ligar para Courtney Love. Recomendadíssimos!

Quarta-feira, Março 11, 2009

PJ Harvey e a Casa da Música

Só tenho uma palavra para o comportamento da Casa da Música em relação à venda dos bilhetes para PJ Harvey a 02 de maio: palhaçada. Quem não vive no Porto (ou é funcionário/amiguinho/you name it da Casa da Música) e passou os últimos dois meses a garimpar nas Fnac's e lojas virtuais da vida, sabe muito bem do eu estou falando.

Terça-feira, Março 03, 2009

Sacanas Sem Lei?



É, parece que este é o título em português (Portugal) do próximo filme do Tarantino "Inglorious Besterds".E no Brasil? A minha aposta é qualquer coisa como «Uns tiras doidos pra caramba».

Domingo, Fevereiro 22, 2009

Os meus óscares

Este ano, comparando com os últimos três, talvez seja o ano mais interessante do Oscar. Muitos bons filmes para ver e cada vez menos filmes com o "selo oscar de qualidade". Em 2009, este posto ficou a cargo de dois deles: «O estranho caso de Benjamin Button» e «O Leitor». Apesar dos seus realizadores, Fincher e Daldry, terem o meu mais absoluto respeito e algumas obras-primas no currículo, parecem-me filmes certinhos demais, filmes com cara de oscar. Eu quase que incluíria «A Troca» do Clint Eastwood nesse balaio, mas Clint Eastwood está acima de qualquer suspeita e já provou há muito o que tinha para provar.
O meu favorito para o prémio de melhor filme é o muito controverso «Slumdog Millionaire». Acho um disparate sem fim dizerem que o filme faz pornografia da pobreza. Acho-o poderoso, pujante, original. Sou fã de Boyle há muito tempo (ok, esqueçam «A Praia» e «Milhões») e desde «28 dias depois» não o via em tão boa forma. Esta é a sua grande volta, o ano da sua consagração, finalmente.
Se o prémio não fosse para o filme de Boyle, provavelmente eu daria para o filme que menor chances tem de sair com alguma estatueta, «Frost/Nixon». Há qualquer coisa de muito adulta e coerente no último filme de Ron Howard. E estou a falar de um dos piores realizadores dos ultimos tempos, o homem que faz filmes politicamente correctos e aborrecidos como «Uma mente brilhante» e «O Código Da Vinci». Parece que com «Frost/Nixon» alguma luz se acendeu ali. E por falar em filmes politicamente correctos, saí com uma pontinha de decepção da projecção de «Milk». Gus Van Sant é um cineasta assombroso, faz obra-prima atrás de obra-prima mas em «Milk» parece que segue a cartilha do academismo norte-americano minuciosamente, de uma forma que as vezes chega a dar sono. Carlos Merten, jornalista do Estadão, perguntou no seu blogue dias atrás: "Será possível não gostar de «Milk»?" dada a ovação unánime e as críticas positivas ao filme. Ninguém fal mal de «Milk», se tornou um pecado capital. Eu até gosto do filme, não é esta a questão, mas há qualquer coisa de xiita nessa bajulação toda. É sim um belo filme, Sean Penn merece sim o oscar (mais que Rourque até) mas é de uma convencionalidade ortodóxica que assusta. E eu não esperava isso do senhor Van Sant.
Para acabar, devo dizer que o filme "do oscar" que mais me impressionou e que merecia estar entre os cinco indicados, é o belíssimo «Revolutionary Road». Há muito tempo não via filme tão dilacerante. Sam Mendes volta ao que sabe fazer melhor, olhar pelo buraco da fechadura a terrível realidade que povoa as vidas aparentemente perfeitas. Desde «Magnólia» que não via um objecto de cinema tão belo e tão corrosivo.

Vencedores do Oscar...já?

Encontrei a lista abaixo no Movie Crunch e em meio mundo de blogues espalhados pela blogosfera. De acordo com o Movie Crunch, a lista foi postada por um blogue anónimo que depois foi retirado do ar. O que, segundo eles, aumenta ainda mais as suspeitas de que tudo pode ser verdade. Uma pena, pois eu devo ser a única pessoa que torce fervorosamente para o oscar ir parar às mãos do Sean Penn e não do Mickey Rourque.



Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Morrissey e as Capas


Morrissey já nos mostrou que tem um gosto bem peculiar em relação às capas que escolhe para os seus discos. «I'm Throwing My Arms Around Paris» é o primeiro single do álbum «Years of Refusal», gravado em Los Angeles e produzido por Jerry Finn que foi editado na última segunda-feira. Na capa, Morrissey aparece nu, com os outros membros da banda que o acompanham e  - desculpem-me o cinismo nauseabundo - com Photoshop gritando por atenção. Já que, se bem me lembro, até há pouco tempo, Moz ostentava um corpitcho bem rechonchudo que a idade lhe impôs. Daqui do Prepúcio a gente lamenta: não era preciso Morrissey, a sério que não.

A felina e a Levi's


Depois dar o bolo à Channel e posar para as malas Louis Vuitton eis que a belíssima Chan Marshal (a.k.a Cat Power) agora ataca de Levi's. E a gente não tem mais nada para dizer sobre o assunto.

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

...E os piores filmes de 2008

«The Happening» uma comédia involuntária

01 - JUNO/O ACONTECIMENTO

Nem sei qual é o pior dos dois. Por isso vai ser um ex aequo. Lembrei-me daquela  balança que o Willy Wonka usava para saber quais eram os produtos estragados e que media a "ruindade" de cada um. O que prestava era usado na fábrica de chocolate o que não prestava, caía automaticamente num buraco directo para lata do lixo. Estes dois de certeza que nem precisariam da balança, são tão ruins, tão pretensiosos e pior, tão inconscientes da própria ruindade que me fez rir no cinema. Risos nervosos de constrangimento.

02 - OS FRAGMENTOS DE TRACEY

Se este blogue responsável pelos framboesas de ouro, o "oscar" dos piores do cinema, a chata da Ellen Page ganharia disparado este ano logo dois galardões pelas suas ridículas prestações neste filme cheio de boas idéias mas que foi completamente destruído por uma mão pesada e no «Juno» aqui acima. Ela se tornou numa espécie de ódio de estimação para mim que só de saber que ela está em algum filme, perco automaticamente o interesse por ele. Vai ser má actriz assim bem longe de mim.

03 - DESTRUIR DEPOIS DE LER

Nem consigo falar mal dos Coen simplesmente porque acho-os geniais e porque fizeram algum do melhor cinema indie dos últimos 20 anos. Mas esta má fase começada após o fabuloso «Brother, Where are thou?» parece que não tem mais fim. E o pior de tudo é que ainda lhes dão oscar por filmes medíocres, como no ano passado, aí eles acham que estão no caminho certo. Não rapazes, não! Voltem a ser o que eram. Voltem ao cinema de «Arizona Dream» e «Fargo». Nós suplicamos.

04 - UMA SEGUNDA JUVENTUDE

Quando eu era criança, e ouvia na televisão a ênfase e o respeito que emitia a  voz do locutor da Globo quando anunciava um filme "de Francis Ford Coppola" eu pensava: este deve ser o Messias do cinema. Foi preciso alguns anos depois para ver que ele era um cineasta brilhante que variava muito entre o irregular e o muito bom. Esta experiência cinematográfica tão propagada com Tim Roth a levar o filme nas costas gerou muita expectativa mas fica aquém de tudo isso: um desastre homérico de todos os tamanhos, redundâncias à parte.

05 - DIÁRIO DOS MORTOS

Este filme tem ali uns cinco minutos de qualquer coisa de genial que nos capta a atenção e faz ter esperança outra vez no cinema de género. Como se fosse preciso um mestre para fazer renascer os bons filmes de terror [ver o espanhol «REC»]. Erro absoluto, isto é mais um produto do mais preguiçoso e inerte cinema fantástico dos últimos tempos. Nem como série B engana, aqui é mesmo série Z.

Sábado, Janeiro 31, 2009

A propósito de «Slumdog Millionaire» (I)

Há alguns dias, deparei-me com um texto do jornalista da SIC Notícias e do DN, João Lopes que me deixou no mínimo muito intrigado. O texto, publicado no seu blogue Sound + Vision dava conta de uma certa injustiça cometida pela Academia ao ignorar a presença da realizadora indiana Loveleen Tandan como co-realizadora do magnifíco «Slumdog Millionaire». No texto, João Lopes refere-se a realizadora como uma pessoa "de cor". Minha primeira reacção foi escrever um e-mail em forma de protesto ao jornalista. Alguns dias depois, num acto que considerei muito nobre - e contrariando as minhas expectativas - o senhor João Lopes, fez a gentileza de responder-me e de dar sua "explicação" final. Que pode ser vista aqui no seu blogue e que passo a publicar na íntegra por estes lados também:


"Slumdog Millionaire": ele e ela (cont.)

A nomeação de Danny Boyle para os Oscars, como realizador do filmeSlumdog Millionaire, tem suscitado algum debate de ideias. Como referi em post anterior, há quem considere que a não-nomeação da co-realizadora Loveleen Tandan representa uma forma de discriminação: a crítica Jan Lisa Huttner defende mesmo que é importante fazer pressão sobre a Academia de Hollywood no sentido de alterar a regra (só pode haver um nome nomeado na categoria de melhor realização) que "justifica" tal omissão. Nesse post escrevi:

>>> Tentando contrariar esta lógica, a crítica Jan Lisa Huttner tem chamado a atenção no seu blog The Hot Pink Pen — empenhado na defesa dos direitos de mulheres realizadoras e argumentistas — para o anacronismo da regra, considerando mesmo que se está a perder a oportunidade histórica de nomear a primeira mulher de cor para melhor realização (...) <<<

Estas palavras levaram um dos nossos visitantes, Wellington Almeida, a dirigir-me um mail. Eis a sua argumentação:

>>> Não tenho aqui muito a dizer e nem vou entrar em dissertações sociológicas a respeito das disparidades semânticas que uma palavra possa vir ter e vou directo ao assunto: como grande apreciador dos seus textos — sejam eles peças jornalísticas ou mesmo as "informais" aqui no blogue — acho extremamente perigoso que o senhor use este eufemismo "de cor" para designar a raça "negra". Já há muito tempo muita tinta é gasta sobre este tema (negro? preto?) e nem estou a fazer suposições sobre suas políticas pessoais, mas esta quase que "suavização" da palavra NEGRO torna-se inequivocadamente ofensiva para mim. Quero dizer, estão a perder a oportunidade histórica de nomear a primeira mulher de cor para melhor realização mas...de que cor? <<<

* * * * *

1. Começo por esclarecer que o eufemismo “de cor” não designa a raça “negra”: Loveleen Tandan é indiana e tem a pele castanha. Aliás, num artigo da Newsweek em que é referida a não-nomeação de Tandan como co-realizadora, Ramin Setoodeh escreve uma frase de certeira ironia: “[O filme]Slumdog está cheio de rostos castanhos (brown faces) mas, no palco dos Oscars, praticamente todas as pessoas que forem receber prémios por ele têm rostos brancos.”

2. O “anacronismo da regra” a que me refiro — e que Jan Lisa Huttner aponta — decorre, não da cor da pele seja de quem for, mas apenas do facto de não ser possível nomear mais do que uma pessoa na categoria de melhor realização (mesmo quando, como é o caso de Loveleen Tandan, alguém aparece citado no filme como “co-realizador”).

3. Foi a própria Jan Lisa Huttner a referir-se à situação utilizando a expressão “of colour” (“de cor”). A citação está disponível no IMDb: “Ao longo de 80 anos, apenas três mulheres foram nomeadas para o Oscar de melhor realização — Lina Wertmuller, Jane Campion e Sofia Coppola — e apenas dois homens de cor: John Singleton e Ang Lee, que ganhou por Brokeback Moutain. Se Loveleen Tandan for co-nomeada pelo seu trabalho em Slumdog Millionaire, então será a primeira mulher de cor a ser nomeada para o Oscar de melhor realização e, se ganhar, será a primeira mulher a receber tão grande honra.”

4. O meu texto contém um erro de citação: a expressão “primeira mulher de cor” deveria surgir entre aspas, desse modo remetendo para o discurso de Jan Lisa Huttner.

5. A questão de fundo que se coloca está exemplarmente resumida por Wellington Almeida quando pergunta: “(...) estão a perder a oportunidade histórica de nomear a primeira mulher de cor para melhor realização mas...de que cor?” A resposta directa à sua pergunta é: de cor castanha. Mas, de facto, cada palavra e cada expressão está muito longe de se esgotar no discurso de um indivíduo, seja ele quem for, ou nas suas intenções. Podemos reavaliar a complexidade semântica, simbólica, política e afectiva de tais questões através de um didáctico artigo de William Safire (‘On language; people of color’), publicado em 1988 em The New York Times — depois de comentar as muitas convulsões históricas das expressões que se referem à cor da pele, o autor conclui assim: “Quando usada por brancos, people of color [pessoas de cor] transporta normalmente uma conotação amigável e respeitosa, mas não deverá ser usada como sinónimo de negro [black]; refere-se a todos os grupos raciais que não são brancos.”

6. O meu texto contém um segundo erro, este de avaliação de linguagem. De facto, ao traduzir a expressão em causa (de cor), embora a tenha assumido no sentido que decorre do seu contexto de enunciação (americano), não tive em consideração os inevitáveis efeitos — simbólicos e de leitura — que podem ser arrastados pela passagem de uma língua para outra.

7. Wellington Almeida escreve que não faz “suposições” sobre as minhas “políticas pessoais”. Pelo contrário, creio que o pode e deve fazer, sobretudo quando, como é o caso, tenta fazer algo a que atribuo a máxima importância: a interpretação dos subtextos simbólicos que um discurso — por vezes, uma simples palavra — pode arrastar. Repudio todas as formas de racismo, pelos actos e pela escrita. Mas as declarações de princípio não devem impedir o reconhecimento de erros como aqueles que cometi. Por eles me penalizo, apresentando as minhas desculpas.



Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Os Melhores Filmes de 2008

Juro que este ano não ia fazer lista. Nem era uma forma de protesto nem nada, apenas não chegava facilmente a dez títulos de grande relevância para enumera-los como "melhores do ano". Mas aí, seguindo a tradição de enviar todos os anos a listinha para o site Cinema2000, fiz um esforço maior e cheguei a dez belos filmes. Então resolvi publicá-la aqui também. 

01 - HAVERÁ SANGUE

Paul Thomas Anderson deverá ser um daqueles jovens realizadores - a juntar-se a Orson Wells - que conseguiu abrir a caixa de pandora do cinema e guardou os segredo só para si. Obra-prima atrás de obra-prima (mesmo quando brincou às comédias românticas em «Punch-Drunk Love» e deu-lhe uma versão negra e complexa) Anderson não erra um segundo e mostra que conhece cada centímetro do terreno onde pisa. Este «Haverá Sangue» é um tratado monumental sobre a complexidade da natureza humana e desde já um dos filmes da década.

02 - WALL-E
03 - IN BRUGES
04 - GONE BABY GONE
05 - O CAVALEIRO DAS TREVAS
06 - LUZ SILENCIOSA
07 - NOS CONTROLAMOS A NOITE
08 - THE MIST - NEVOEIRO MISTERIOSO
09 - ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE MORRESTE
10 - THE SAVAGES


Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

PJ Harvey no Porto em Maio


Acabei de ver no MySpace da überdeusa inglesa Polly Jean Harvey, as datas da turnê européia com John Parish e está lá, o Porto, incluído na sua próxima paragem por terras nortenhas. Espero que até lá alguém tenha o bom senso de trazê-la a Lisboa. O disco ‘A Woman A Man Walked By’ sai a 30 de março e, segundo informações da mesma página "...The album has been described by journalist, John Harris, as “…mischievous, deadly serious, elegant and poetic, and possessed of a brutal power – it is doubtful that you will hear a record as brimming with creative brio and musical invention this year…” Estamos a contar os dias.

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Melhores de 2008 - Os Discos

1º  THIRD - Portishead

Nas primeiras audições foi um choque para todo mundo: cadê a banda excepcional dos irretocáveis «Dummy» e «Portishead»? Aquela batida de «Machine Gun» não fazia sentido algum. Passada a primeira audição de frustração calculada, é que entendemos, «Third» é um disco do futuro. Um futuro frio, apocalíptico e cercado de uma beleza hermética quase imperceptível aos ouvidos não-iniciados. Fomos abduzidos e estava desvendado o segredo. Os Postishead continuam perfeitos e geniais e sabem a exacta localização dos chacras do nirvana. Fomos salvos mais uma vez e lá estavam «We Carry On» e «Silence» para nos provar. Ao terceito disco, os Portishead mostram que estão uma escala acima daquela linha imaginária que separa os pobres mortais dos verdadeiros deuses.


2º  HOLD NOW, YOUNGSTER - Los Campesinos

A boa música pop, assim como o cinema, é muito difícil de fazer. Um bom disco, daqueles criados por mãos imaculadas que nos ganha a primeira então, é um verdadeiro oásis num deserto. Foi o que aconteceu comigo e os Los Campesinos, paixão à primeira vista. Num ano em que o último disco que me fez saltar de felicidade assim logo a primeira audição foi lançado em 1994, só tive de agradecer aos céus. «Hold On Now, Youngster» lançado em fevereiro mas que só chegou por aqui agora, é sério candidato ao conjunto de canções pop mais perfeitas desde «Funeral» dos canadianos - óbvia fonte de inspiração - Arcade Fire. Este é daqueles discos que desperta em nós aqueles sentimentos obscuros que nem dezenas sessões de terapia consegue. Quem gosta de emoções fortes e desconstruções musicais com elegância não pode perdê-lo por nada na vida.


3º  MIDNIGHT BOOM - The Kills

Quando VV canta a determinada altura de «Midnight Boom» "What the city used to be...What New York used to be.." já é quase que meio caminho andado para explicar a luxúria que este disco emana da primeira a última faixa. Se é que prazeres dessa magnitude se explica. Ao terceito disco, os The Kills deixam a pose cool estrategicamente encenada dos discos anteriores para se entregar aos prazeres da carne. Pegaram naquilo que fizeram as bandas dos finais dos '90 - o hedonismo como lema máximo - e elevaram-no a enésima potência. Em 2008 os The Kills mataram a cobra e mostraram o pau. E deixaram bem claro como New York deveria ser.


4º  THIS GIFT - Sons & Daughters

Foi o primeiro grande álbum de 2008. «This Gift» sucede ao soberbo «The Repulsion Box» e já há algum tempo que por aí andava a nos provocar com "Gilt Complex" o viciante single que  abre o disco. Alguns dias depois, logo em inícios de Janeiro veio confirmar: este é um daqueles poderosos albuns onde o indie-rock-cowboy-dançante dos escoceses nos faz bater os pés até cansar e pedir por mais. E berrar a viciante «Iodine» numa pista lotada é daquelas coisas lúdicas que toda gente deveria tentar. A consumir sem moderação.


5º  JUKEBOX - Cat Power

O oitavo álbum da belíssima Chan Marshall, chegou às minhas mãos logo que saiu no final de janeiro último, mas não captou de imediato a minha atenção e por alguma conjunção cósmica passou pelo meu CD Player voando. Numa destas noites solitárias reencontrei o álbum com outro sabor e vivacidade e... me apaixonei. Tento rememorar os sentimentos iniciais, mas poucas coisas daquelas audições retornam à minha memória castigada por prazeres não pronunciáveis. A diferença do modus operandi deste «Jukebox» faz com que o apelo indie dos primeiros álbuns desapareça cedendo lugar à uma sonoridade classuda que transpira charme, elegância e um swing que faz arrepiar os cabelinhos da nuca. A felina cresceu, e foi preciso deixar a bebida para fazer um disco para bêbados e amargurados. E este Cat, é o meu melhor elogio.

Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Melhores de 2008 - Músicas TOP 10

A quatro de agosto último, com muita expectativa à volta, saía mundialmente a estréia da norueguesa Ida Maria «Fortress Round My Heart» em formato físico. O disco, infelizmente, foi uma decepção. Mas o single de estréia «Oh My God» era um daqueles arrasa-quarteirão que ofuscava todas as outras faixas. Sem constar então no meu top discos do ano (como eu previa) Ida Maria garantiu pelo menos o lugar ao melhor hit. Nem os mais cínicos e sisudos conseguem resistir a uma canção deste calibre. Quando a insanidade encontra a lúcidez e vira deboche. Senhoras e senhores, dez músicas que fizeram meu 2008 menos negro. 

01 - «OH MY GOD» - Ida Maria
02 - «SILENCE» - Portishead
03 - «LAST DAY OF MAGIC» - The Kills
04 - «DEATH TO LOS CAMPESINOS» - Los Campesinos!
05 - «FOSSIL, I» Sky Larkin
06 - «IODINE» - Sons & Daughters
07 - «BLIND» - Hercules & Love Affair
08 - «ALL THE RAGE» - The Royal We
09 - «SKINNY LOVE» - Bon Iver
10 - «BRIGITTE BARDOT» - Creature

Terça-feira, Dezembro 30, 2008

Melhores de 2008 - Músicas (top 11-20)


11 - «INTO THE FOLD»  - The Duke Spirit
12 - «SEVENTEEN» - Kings of Leon 
13 - «BAG OF HAMMERS» - Thao & The Get Down 
14 - «IM GOOD, IM GONE» - Lykke Li
15 - «POISON DART» - The Bug ft. Warrior Queen
16 - «DEAD SOUND» - The Raveonettes
17 - «DOESNT MATTER MUCH» - Blood Red Shoes
18 - «RED LETTER YEAR» - Ani Di Franco
19 - «HOLIDAY» - Joan as Police Woman
20 - «STARLETT JOHANSON» The Teenagers

Agora vão as últimas dez, só para criar suspense.Nos próximos posts publico o Top 10. E o top discos e filmes. Volta aí depois.

Austrália

Tinha tudo para ser um dos filmes do ano: tinha o Hugh Jackman, o talento inesgotável de Nicole Kidman, a mão de Baz Luhrmann e sua visão estilizada e apocalíptica de fazer cinema.. Mas quase três horas de duração para uma história que se conta muito bem em duas, foi o genocídio que cometeram com este belíssimo filme. 

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

As Listas dos Outros

Entre todas as listas de «Best of 2008» que vi até agora talvez as dos DJ's da melhor rádio rock online, WOXY são as que me agradam mais. Seja por estar mais próximo do meu gosto pessoal, seja por fugir um pouco dos "oba-oba" canonizados que figuraram nos Media Players alheios em 2008.

Mike Taylor










1. Portishead Third (Island)
2. Foals Antidotes (Sub Pop) 
3. The Whip X Marks Destination (Southern Fried)
4. Friendly Fires Friendly Fires (XL)
5. Deerhunter Microcastle (Kranky) 
6. TV On The Radio Dear Science (Interscope)
7. Sigur Ros Med sud i eyrum vid spilum endalaust (XL)
8. Jessica Lea Mayfield With Blasphemy So Heartfelt (Polymer)
9. Frightened Rabbit The Midnight Organ Fight (Fatcat)
10. Parts & Labor Receivers (Jagjaguwar)
11. Wolf Parade At Mount Zoomer (Sub Pop)
12. Constantines Kensington Heights (Arts & Crafts)
13. Peter Adams I Woke With Planets In My Face (self-released)
14. Blitzen Trapper Furr (Sub Pop)
15. Fleet Foxes Fleet Foxes (Sub Pop)
16. These New Puritans Beat Pyramid (Domino) 
17. King Khan & The Shrines The Supreme Genius of King Khan & The Shrines (VICE)
18. Those Dancing Days In Our Space Hero Suits (Wichita)
19. Lightspeed Champion Falling Off The Lavender Bridge (Domino)
20. Pete & The Pirates Little Death (Stolen)

Matt  Shiv







1. Mason Proper Olly Oxen Free (Dovecote)
2. TV On The Radio Dear Science (Interscope)
3. Ra Ra Riot The Rhumb Line (Basruk)
4. French Kicks Swimming (Vagrant)
5. The Kills Midnight Boom (Domino)
6. Portishead Third (Island)
7. Erykah Badu New Amerykah: Part 1 (4th World War) (Universal Motown )
8. The Helio Sequence Keep Your Eyes Ahead (Sub Pop)
9. Nick Cave & The Bad Seeds Dig, Lazarus, Dig!!! (Anti)
10. M83 Saturdays=Youth (Mute)
11. Paul Weller 22 Dreams (Yep Roc)
12. Q-Tip The Renaissance (Universal Motown)
13, Elbow The Seldom Seen Kid (Geffen)
14. Hot Chip Made In The Dark (Astralwerks)
15. Pomegranates Everything Is Alive (Lujo)
16. Santogold Santogold (Downtown) 
17. The Breeders Mountain Battles (4AD)
18. Daniel Martin Moore Stray Age (Sub Pop)
19. Gentlemen Auction House Alphabet Graveyard (Emergency Umbrella)
20. The Spinto Band Moonwink (Park The Van)

Sábado, Dezembro 13, 2008

Creature: o verão é já amanhã.

Nem só de Arcade Fire nos abastece Montreal.Tem muita festa e cores vindo de lá também. São os novíssimos canadianos Creature, tão novos que nem entrada no AllMusic têm ainda. Formados em 2004 mas com disco de estréia («No Sleep at All») lançado só em março desse ano na Europa. O quarteto fez uma celebrada passagem pelo festival South by Southwest e foi aí que começou a ser percebido.Na mala, trazia o delicioso primeiro single «Brigitte Bardot» (que descobri ouvindo a woxy.com) o espalhafatoso carro-chefe do début. O som é um híbrido muito bem casado entre os New Young Pony Club e os Scissor Sisters mas com um pézinho no pós-punk (até a capa do disco à Blondie) dos longínquos anos 80. A minha aposta é que eles vão fazer por 2009 o que os já citados NYPC fizeram por 2007 e os Ting Tings por 2008. Música para o verão, com sombra e muita água fresca. MySpace

Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

Ting Tings faz cover dos Gossip

É engraçado ver os clichês que cercam o hype em torno de uma das bandas mais divertidas que aparecerem nestes últimos anos, os Ting Tings. Fazem sucesso no meio indie e toca tanto na Mega Fm quanto na pista apertada do Incógnito. Uns adoram, outros - quando a banda finalmente assinou com a Sony e explodiu - desprezam. A mim, eles foram conquistando aos pedacinhos, e agora acho que gozam de merecido estatuto dentro desse cenário, indie ou mainstream. Hoje procurando covers no YouTube, encontrei esta pérola, os TT desconstruindo e dando uma outra luminosidade ao hit arrasa-quarteirão dos Gossip.

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

Radiohead em SP: 1 hora e quinze minutos.

Concertos de grandes bandas quando tocam no Brasil é assim: ou faz plantão na fila horas antes ou paga fortunas depois no mercado negro. Os bilhetes para o concerto dos Radiohead em São Paulo, no próprio site da banda, foram colocados para venda ontém as . As 19h15 já estavam todos esgotados. E agora salve-se quem puder.

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

Para ser feliz em 2008: Los Campesinos!

JustificarRoube, empreste, compre, compre dois. Dê um de presente para a empregada e faça cópias ilegais para as pessoas que você ama. Esse disco é bom demais para ser ignorado! Eu vou ali ser feliz e já volto.

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Paris Hilton - terceira (e última) parte

Ok, eu sei que parece uma espécie de obsessão pela moçoila eu citar seu nome pela terceira vez em menos de uma semana, eu sei que parece, mas não é. Eu sei também que parece uma conspiração do universo para me fazer acreditar que a menina afinal é boa pessoa e já agora, um génio nas horas vagas. Mas não é também. Não passa de uma bizarra coincidência. Estava eu dando uma vista d'olhos numa banca de revistas qualquer quando me deparo com quem? Ela mesmo. Paris Hilton, herself, belíssima e serena "lendo" «Guerra e Paz» de Leo Tolstói na capa da Intelligent Life última. Como se não bastasse esta história de ter um QI de 120 (ver post de 30/11) agora mais essa. Então tá bom.

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

O planeta terra está "IN"

E a criatividade para capas de discos (e os discos próprios, já agora) este ano de 2008 não foi lá muito original. Ou é o planeta terra que anda na moda com esta conversa toda de aquecimento global.


E o dos Dandy Warhols e o da Dido estão mesmo lado a lado nas prateleiras da Fnac do Colombo. Resta saber se foi por acidente da «ordem alfabética» ou pura intuição do funcionário.

Actualização (em 05/12/2008): E já agora, as
Caveiras, via Puto.

Domingo, Novembro 30, 2008

rapidinhas #02 - O QI da Paris Hilton

Enquanto navegava pelo MySpace, à procura de coisas novas para ouvir, deparei-me com isto:


E fiquei tentado a fazer o Quiz que diz-me quanto vale o meu QI. Mas desisti na hora. Já imaginou ter um QI infeior ao dela e ter de conviver com isto para o resto dos seus dias? Não, obrigado.

rapidinhas #01

Nos últimos três meses, por motivos que a razão desconhece, passei ao lado - quase que na totalidade - às novidades discograficas que realmente interessam. Então, de volta à actividade, fui conferir o que os outros bloggers e entendidos do assunto andavam a ouvir. Neste tipo de coisa, acaba por ser quase os mesmos aqui e acolá. Notei que pelo menos uma banda era unânime entre a garotada. Os Fleet Foxes (que a Mojo acaba de eleger como os detentores do disco do ano). Fui para o MySpace dos meninos e bastaram três músicas para eu perceber que não consigo digerir aquela xaropada. É tédio demais para uma banda só. E o mundo não precisa de novos hippies bonzinhos. Graças à Deus.


E por falar em discos do ano, dia destes em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo, o mestre Álvaro Pereira Júnior, figura polémica da cena cultural brasileira, disse que os melhores discos que ele ouviu este ano foram os de Gnarls Barkley e Goldfrapp. Fiquei perdido. Tinha achado muito fraco o primeiro e detestado o segundo. E como o senhor Álvaro não costuma errar nestas coisas, fui ouvir novamente os dois disquinhos, desta vez com muito mais atenção. Não rolou. Continuo firme e forte com minha opinião, Os Gnarls Barkley estrearam-se com um album bom demais para agora aparecerem com este disco quase hermético. E os Goldfrapp, coitados, depois do desastre de «Supernature» não acertam uma. Este último disco poderia ser feito por... sei lá, Paris Hilton. E isso, para a banda fabulosa que eles eram, está longe de ser um elogio.

Sexta-feira, Novembro 28, 2008

Cat Power e Antony & The Johnsons - Quase álbuns

Poderia se pensar que são uma alternativa à crise que se alastra a escala planetária e que corrói os - já rotos - bolsos do pobres melómanos. Mas não, cada um foi apresentado à sua maneira , com motivos mais que nobres. Cat power, sempre divinal, repesca as sobras que não entraram no seu «Jukebox» do começo deste ano e o resultado é este sublime EP de nome ainda mais belo «Dark end of the Street». Fresquinho, só sai a 09 de Dezembro. Já Antony e os seus Johnsons, depois do hiato desde o incontornável «I am a bird now», apresentam-nos «Another World» espécie de teaser para o próximo disco que sai em Janeiro «The Crying Light». E é quase como uma caixa de Ferreiro Rocher, uma vez aberta there's no turning back. O mini-album tem cinco canções, e tal e qual como o disco da Chan - incluindo o artwork - não sai muito da sombra do disco anterior, como se fosse uma espécie de director's cut de uma obra perfeita mas inacabada. E no final da audição, fica a pergunta sem resposta, quem precisa de evolução quando se atinge a perfeição?

Sexta-feira, Setembro 05, 2008

Quando os críticos sabem demais

OUTRO DIA, sem querer, me vi no meio de um debate sobre crítica de música. Dizia lá um sujeito que crítico bom tem de ter conhecimento técnico. Apesar de eu não me considerar um crítico, só um mero colunista de música e olhe lá, sobrou para mim a defesa da "classe" contra as asneiras que o cara falava. Acho que alguma base técnica é até desejável, mas não essencial.Mais importante é entender da história do gênero musical a ser criticado, saber contextualizar as informações, não manjar só de música, escrever direito, não errar informação etc.Tinha na cabeça, como modelo, críticos da qualidade de um Simon Reynolds, inglês da minha geração que conseguiu a proeza de escrever dois livros fundamentais em áreas musicais bem diferentes: "Rip It Up and Start Again", sobre pós-punk, e "Ecstasy: Into the World of Techno and Rave Culture", sobre a cultura rave.Já citei aqui muitas vezes o ótimo blog dele, blissout.blogspot.com, e sempre acompanho seus textos nas várias publicações em que colabora. Até que, nesta semana, li na "Word" (de junho -desculpe o atraso) a resenha que Reynolds fez para o primeiro álbum dos Ting Tings, "We Started Nothing".Ele defende a tese, amplamente xerocada no Brasil, que só a primeira faixa, "Great DJ", é ótima. O restante fica no mais ou menos. Para isso, gastou 871 palavras (esta coluna tem 300) e citou nada menos do que 16 bandas e artistas. Isso tudo para escrever sobre um disco que só tem uma música boa...À medida em que avançava no texto, eu pensava: como é possível levar música pop tão a sério? Para quem esse cara acha que está falando? Quem entende tantas referências? Caímos no de sempre: críticos que sabem demais escrevem para outros críticos, para músicos e nerds de música. E ainda tem gente que se importa.

Do mestre Álvaro Pereira Júnior na Folha de São Paulo da última segunda-feira

Quarta-feira, Julho 30, 2008

Joker vs Baby Jane

Qualquer semelhança nas praticas de maldade, não é mera coincidência...

Segunda-feira, Julho 28, 2008

Batman parte VI - acredite no hype

Sim, o Batman novo é tudo isto o que estão a dizer e mais: é a melhor adaptação de todos, sim TODOS, os filmes da série. E já estou contando com o segundo realizado por Tim Burton «Batman Returns». É negro, violento, macabro e parafraseando Michael Caine, Heath Ledger deve ter criado um dos maiores vilões da história do cinema. É cinemão dos bons e de encher os olhos. Foi preciso uma pá de filmes irregulares para que Christopher Nolan entrasse no caminho certo do bom cinema norte-americano. Esta é a obra definitiva do nosso anti-herói homem-morcego e Heath Ledger deveria canonizado.

Terça-feira, Julho 22, 2008

Rosemary's Baby

Lembra do bebezinho na capa de Nervermind dos Nirnava? Então...

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Phodafone Rocks! 29,30 e 31 de Agosto

A primeira edição lisboeta do festival Phodafone Rocks! (mais um patrocinado por uma operadora de telemóvel) já confirmou seu cartaz para o final do verão. O passe para os três dias do festival custa 30€. Eu mataria para ir, e você?


29 de Agosto
PJ Harvey
Radiohead
QOTSA
Palco éphoda:
Howling Bells
Ida Maria
The Ting Tings
30 de Agosto
Arcade Fire
Nine Inch Nails
Yeah Yeah Yeahs
Palco Éphoda:
Sleater Kinney
Queen Adreena
31 de Agosto
Garbage
The Kills
Sons & Daughters
Palco Éphoda:
The Fiery Furnaces
The Knife
B-52's

Quarta-feira, Julho 16, 2008

Discolândia 2008 - primeiras impressões de alguns discos novos

Ladytron - Velocífero

Nunca me interessei pelos Ladytron. Sempre achei o som da banda datado e chato demais. Aí eles editam o soberbo «Witching Hour» e eu mudo radicalmente de opinião. Como era de se esperar, as expectativas para este «Velocífero» eram muito altas. Não consigo passar da segunda audição. Este disco é tão mau, mas tão mau, que eu duvido muito que algum dia perderei meu tempo com esta banda novamente.


Tricky - Knowle West Boy


A crítica anda celebrando em unânimidade esta volta em grande de Tricky. E com muita razão, pois este deve ser o melhor disco dele desde...desde...«Maxinquaye»! E isto não é necessariamente bom, se pensarmos que numa extensa discografia, podemos salvar dois ou três discos do fogo do inferno. Se não conhecessemos o rapaz muito bem, até poderíamos acreditar que daqui para frente tudo iria correr bem.


Beck - Modern Guilt

Sempre que ouço um disco do Beck é com expectativa zero, por mais que alguém diga que é a solução para a paz mundial. Beck para mim, só fez dois discos dignos de audição: «Odelay» e «Guero» o resto, é resto e não me interessa. Só ouvi uma única vez este «Modern Guilt» atraído pela produção do Danger Mouse e gostei até agora do que ouvi. Beck versão despretensioso e descomplicado.


Cansei De Ser Sexy - Donkey

O jornal britânico «The Guardian» definiu bem este novo disco dos Cansei de Ser Sexy: «CSS pegou sua fórmula única e... deitou-a fora. Tragam de volta os palavrões (...) talvez a idéia seja provar que eles têm mais em comum com as bandas européias do que com os seus conterrâneos, mas não dá para negar que se tornar uma banda indie inglesa mediana é uma maneira meio radical de evitar a comparação com a Tropicália.» Bingo!

Terça-feira, Julho 15, 2008

Gossip no Optimus Alive!


"...e Gossip, com a tenda em apoteose, a rebentar pelas costuras e perto de uma centena de pessoas a invadir o palco, com muitos abraços à Beth Ditto, que entoou, depois de um delirante «Standing In The Way Of Control» um vitorioso «We Are The Champions», numa celebração rara e inesquecível."

O jornal gratuito Destak sobre o apoteótico e histórico concerto dos Gossip, na tenda secundária do Optimus Alive. Este vídeo foi filmado do palco e dá para ter uma pequena idéia da histeria colectiva que foi o último concerto da digressão da banda.

O trailer de «Tropa de Elite»

Vi este trailer no Monumental dia desses e só depois de uns minutos é que caiu a ficha. Ei, é o «Tropa de Elite». Primeiro é a narração canastrona e em inglês americano género "narrador de filme do Van Damme" que não cola. Depois, o Rio de Janeiro que se transforma "na cidade mais perigosa do mundo". E por último, e que talvez é o que mais irrita (e nem gosto tanto assim da fita) é a comparação com «Cidade de Deus» (que a pessoa que legendou para português - e que deve ter passado os últimos 5 anos hibernando na Transilvânia -leu GOLD ao invés de GOD então meteu «Cidade de Ouro» na legenda). Katia Lund, co-autora de «Cidade de Deus» ameaçou processar Braulio Mantovani (que fez adaptação para o cinema de CDD) por plágio na adaptação do «Tropa» portanto, este deveria ser o último gancho para promoção do filme. Isto é, um trailer falso e manipulador, como qualquer um feito por quem não se deu ao trabalho do simples visionamento da fita.


Quinta-feira, Junho 19, 2008

Shannon & eu

_ Shannon, posso tirar uma foto contigo?
_ Claro.
[Meu amigo tira a foto, minhas mãos tremem]
_ Shannon, eu só queria te dizer uma coisa... o teu disco "Over the Sun" mudou a minha vida.
_ [tímida] Ohhh, tão querido. Thank you!
_ Obrigado pela foto, tchau.
_ Tchau! Thanks for coming.

E deixo o Santiago Alquimista, completamente histérico e com as mãos pingando de suor. Não nasci para ser tiete. Ainda mais quando os deuses descem à terra. Os três pastorinhos que me desculpem.

Always...the hours.

Estou para responder ao desafio proposto pelo Gonçalo há algumas semanas e só agora consegui pensar na resposta. A missão é publicar uma frase que nos descreva e uma imagem que suporte essa mensagem. E não sei se a escolhida é uma frase que me descreve mas é uma das mais belas e acutilantes frases do cinema moderno e que tem tudo a ver com este blogue.

"Oh, Mrs. Dalloway ... always giving parties to cover the silence"

Terça-feira, Junho 17, 2008

É já amanhã: Shannon Wright no Santiago Alquimista.


Isto é daquelas coisas que não se podem deixar passar porque é uma vez na vida e nunca mais. E com a escassa venda de bilhetes até a data deste post, duvido que ela volte tão breve. Imperdível.

Oh my God, a música do ano?

Ida Maria e o seu carro-chefe «Oh, My God» do primeiro - e muito aguardado - disco que só sai a 04 de Agosto. Se esta não é uma das canções mais deliciosas do ano, então quero meu dinheiro de volta.

Segunda-feira, Junho 09, 2008

Notas sobre o Rock in Rio

Por causa da Amy e por um acidente do destino, eu estive no Rock in Rio nos dias 30 e 06. Foi engraçado ver meus preconceitos caírem todos à minha cara logo de entrada. A Ivete Sangalo, que eu pensava ser um erro de casting daquele dia (e de todo o festival), pôs as quase cem mil pessoas que ali estavam a pularem feito doidas no minuto que pisou palco adentro. Fiquei com medo.

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O mesmo se passou no último dia com os insuportáveis Linkin Park e Offspring. Era inacreditável como aquelas pessoas todas estavam lá para vê-los e pior ainda, cantar junto todas as letras de cor. É duro ser indie.

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Minha amiga Bia, que esteve ilustre na produção do evento, disse que o Livro de Reclamações (!!!) do festival nunca esteve tão requisitado. Maior incidência de reclamações: os concertos que não começavam as horas certas. Existe melhor invenção que o Livro de Reclamações? Portugal Rulezzz!

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Quem teve a sorte de ter telemóvel da TMN ficou completamente incomunicável no primeiro dia do festival. A desculpa dada foi que as linhas todas estavam bloqueadas devido ao enorme fluxo de usuários no mesmo lugar ao mesmo tempo. Por uma coincidência infeliz do destino, quem era Vodafone (a patrocinadora oficial do RIR) passeava lindamente pelo recinto com seus telemóveis brilhantes e funcionais. Então tá, me engana que eu gosto.

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Ah, e esta é muito boa. Uma colega de trabalho de uma amiga disse que pensava que o nome «Rock in Rio» era por causa da proximidade do festival com o rio. Só que o Tejo. Maravilha!

Quarta-feira, Junho 04, 2008

Em defesa da Amy Winehouse

1. A adoração, de toda a gente, por Amy Winehouse.

“O quê? Não gostas dela, nem da música dela? Além de seres um anormal, és sempre do contra!”. É mais ou menos aquilo que oiço quando digo, orgulhosamente, que não gosto nada dela. Da música, do fenómeno, do cabelo horrível e principalmente da toda euforia à volta dela (levando pessoas que não deveriam cantar, nem no banho, a invocar as suas vozes bem alto no metro daquela musiquinha irritante em que ela diz que não quer ir para uma clínica). Enfim, não vou dizer que ela canta mal. Voz tem. E muito boa por sinal. Mas não é a única. Para mim a Alice Russel canta tão bem ou melhor, tendo muito mais nível que Amy, mas como não dá tanto nas vistas nem tem problemas com a justiça, álcool e drogas vende bem menos. Sei respeitar os gostos dos outros. Conheço uma pessoa que gosta de Toy e não ando a espanca-la sempre que o encontro. Mas uma coisa é gostos variados e selectos, outra é uma onda de euforia estúpida criada pelos media dizendo que é uma diva à antiga com uma voz que não se ouvia já a algumas décadas, fazendo com que milhares de pessoas digam que aquilo é óptimo e ela é espectacular.Amy Winehouse é uma praga. Oiço-a quer na Radar, quer na Mega FM. Porra, não gosto NADA do que ela faz.


O Pedro em seu Despertar da Mente num post intitulado «Ódios».

Entendo perfeitamente a embirração do Pedro com a Amy Winehouse. Eu mesmo tenho os meus ódios de estimação que são tótens da media e do público (exemplos: Bob Dylan, U2, David Lynch, Robert De Niro...) e não consigo entender a paixão suscitada à volta deles. Mas claro, respeitando as opiniões alheias, acho que, independente de se gostar de Winehouse ou não, acho que serão sempre pelas razões erradas. E lendo o editorial do Miguel Francisco Cadete na Blitz (edição de papel) deste mês - que por irónia traz a Amy na capa - encontrei a resposta ideal para o post do Pedro.

«Há, pelo menos, dois erros fatais no mundo da música. Ou em tudo o que está relacionado com comunicação. O primeiro e mais comum, é aquele que leva a confudirmo-nos com o mercado. Quer isto dizer que somos tentados a pensar que o estimável público tem um gosto semelhante ao nosso. O segundo erro é aquele que nos faz classificar canções ou artistas de acordo com os suportes mediáticos em que surgem. Exemplo: uma canção que faça parte da banda sonora de uma telenovela é automaticamente uma bimbalhice. O resultado destes dois erros costuma ser fatal. Mas eles são também muito mais comuns, e interligados, do que parece. Vem isto a propósito de Amy Winehouse. Mais do que às suas canções, a notoriedade de Amy deve-se às tropelias em que se tem visto envolvida e que são o pão-nosso de cada dia da imprensa tablóide britânica. (...) O certo é que Amy Winehouse ganhou reputação enquanto presença em certos media, como uma espécie de Paris Hilton, e daí se concluir que é uma artista comercialona, capaz de aproveitar a fome insaciável dos malditos tablóides. Estará portanto consumado o segundo erro: ao contrário de se ouvir a música de Amy Winehouse, ela é classificada e provavelmente criticada, pelo seu desempenho quotidiano mais ou menos privado. O contrário também é verdade e acontece quase tantas vezes. Que seria de Björk se, ao invés da capa na revista Wire aparecesse no Daily Mail ou no The Sun? Pior ainda, que era feito da credibilidade indie dos Radiohead se tivessem estado em alta-rotação na MTV desde o início da carreira? (...) O primeiro erro é muito mais fácil de ser diagnosticado. Acontece sem darmos por ele, todos os dias. É fácil, comum, e eu acrescentaria, ordinário. Porque não nos leva a tentar perceber a razão por que os outros gostam tanto daquilo que nós não gostamos. Agora a minha declaração de interesses: eu gosto de Amy Winehouse. Diria mesmo que ela é a maior artista do século XXI. Uma espécie de Keith Richards dos nossos dias, que passou pelas mesmas provações, castigos e desvarios. É sim, é intérprete de uma música que vale toda a pena ouvir. porque não faz parte de qualquer nova tendência inventada por estetas baratos - ou marketeers dispendiosos. Porque é real, autêntica e genuína em toda a encenação de um tempo impossível de se viver hoje. E isso, já se sabe, tem o seu custo por estes dias. obrigado Amy.»

Sábado, Maio 31, 2008

Amy Winehouse - Rock in Rio Lisboa

Foi triste e terno ao mesmo tempo ver uma jovem cantora no auge do seu talento em progressiva degradação como aquela que vimos ontém. Foi triste porque, apesar de todas as polémicas em torno da excessiva exposição da sua vida pessoal, Amy confirmou todos os clichés à volta do mito e fez a festa dos seus detractores. Foi terno porque, por momentos pareceu quase que um ritual religioso, ela dava-nos o seu máximo e nós também. Um tremendo esforço colectivo, muito em grande parte do público que só estava ali para se divertir e ver a grande estrela da noite sair do palco com um pouquinho de dignidade. Eu, um fã confesso de Winehouse, fiquei de rastos. Queria ter lhe ligado no final do espectáculo a dizer-lhe que estava tudo bem, mas não estava. Tudo começou com 35 minutos de atraso e durou exactamente 55. Amy expôs sua imensa fragilidade à frente de quase cem mil pessoas. Chorou a meio de «Love is a Losing Game», quase caiu no palco duas vezes, derrubou o microfone outras tantas, esqueceu a letra do seu maior hit («Rehab») e afónica, limitava-se a sussurrar as letras das suas canções (uma salva de palmas aos seus backing vocals que constantemente estavam a salvá-la do embaraço). Um concerto histórico e único, nas mesmas proporções daquele que os Nirvana deram em São Paulo no extinto Hollywood Rock em 1993. Onde a banda, completamente drogada, fez um dos piores espectáculos da sua vida e Cobain teve a brilhante idéia de mostrar o pénis às câmeras da Globo e simular uma masturbação. Só espero que a bela Amy não tenha o mesmo fim.

Terça-feira, Maio 27, 2008

Cat Power ao vivo - Coliseu de Lisboa

Dói muito dizer isto, mas que grande decepção foi o concerto da linda Chan ontém no Coliseu dos Recreios. O que se ganhou em profissionalismo, perdeu-se naquilo que a felina era melhor: na imprevisibilidade, na química com o público, nas versões melhoradas das suas canções de estúdio. Ontém vimos a menina que chegou à idade adulta, e agora mais segura do seu grande talento, só quer cantar e brilhar. E dá-lhe com o novo «Jukebox» quase na íntegra e de uma assentada só, para logo depois tocar umas versões indigestas de três temas do «The Greatest» («The Moon», «The Greatest» e « Lived in Bars»). Num coliseu esgotado, Chan parecia inquieta, incomodada (abandonava o palco incessantemente para reclamar com o tipo da iluminação) como se tivesse ainda a pagar pelos pecados cometidos com o público português há uns anos am Matosinhos. Sua banda, a Dirty Delta Blues Band cada vez mais se assemelha àquelas bandas que tocam em casamentos com teclados estridentes e músicos virtuosos. E que já se notava desde o àlbum anterior. Seguiu-se então uma versão em castelhano de «Black Angels (Angelitos Negros)» com uma cábula A4 nas mãos e completamente desafinada para acabar em grand finale com «I've Been Loving You Too Long (To Stop Now)» a meio do público entre milhares de vénias e «I love you». Que saudades daquele concerto maravilhoso de dois anos na aula Magna.

Quarta-feira, Maio 21, 2008

THE TING TINGS - We Started Nothing

O hype em torno deles nas terras da rainha era tão grande que muitos duvidavam que eles fossem capazes de criar um álbum completo. Pois eis que acaba de sair este «We Started Nothing» pela mega Sony. Um início em grande, podem pensar alguns. Mas é precisamente este o problema. Com uma grande major por trás de um projecto que já existia - e muito bem - na cena, digamos "alternativa" londrina, a estréia do duo acabou por sair a meio gás. A pop dancável com piscadelas de olho à indie deu espaço a canções ingénuas e facilmente descartáveis. Da baladinha insossa de «Traffic Light» à afunkalhada e aborrecida «Fruit Machine» (que por momentos lembra Avril Lavigne!) o àlbum tem mais baixos que altos. Apesar destas manchas todas, o disquinho ainda vale pelas já conhecidas pérolas descobertas através do MySpace da banda. O desabafo da loirinha Katie White em «That's not my name» o hit «Great DJ» (que já tem clipe rolando na MTV há um bom tempo), a delícia pop que incita à luxúria em «Shut up and let me go» e o momento mais indie do àlbum, no tema-título, em que a voz da vocalista parece a da sua conterrânea PJ Harvey. Um disco simpático, que talvez faça a banda chegar ao grande público e gozar um pouquinho mais da merecida popularidade.

myspace da banda

Youtube: That's not my name Great DJ

Sábado, Maio 17, 2008

Reservation Road - Traídos pelo destino

Saí um bocado desapontado com o desfecho desse Reservation Road que tinha uma premissa muito interessante. Um advogado (Mark Ruffalo) vê-se corroído pela culpa ao atropelar fatalmente o filho de 10 anos de um Professor (Joaquim Phoenix) e abandonar o local do crime sem prestar socorro. Dias depois, este mesmo Professor, procura os seus serviços para ajudar a encontrar o assassino do seu filho. Grandes actores (Jennifer Connelly rouba as [poucas] cenas em que aparece) num filme mediano que tinha argumento para muito mais. Um pouquinho mais de ousadia e um trabalho de edição mais enxuto, teríamos um belo filme.

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Madonna em piloto automático avariado


Alguém disse que este era o pior disco que Madonna alguma vez tinha feito e eu titubeei. "Pior que American Life?" pensei eu "não é possível". É sim. Não sei se foi o desespero em se desvincular logo da Warner ou o quê, mas com o Confessions on the Dancefloor tão fresco na memória ainda, este disco bem podia maturar por mais uns bons anitos. Lixão pop vagabundo ultra-mega produzido. Já vimos este filme antes.

A primeiras reacções a «Blindness»

E já começam a chegar as opiniões sobre Blindness que abriu o Festival de Cannes ontém. Apesar de estar dividindo a crítica, as reacções são mais negativas que positivas. O João Lopes do DN não gostou e um crítico da Variety disse que o romance nunca deveria ter sido adaptado. A jornalista Wendy Ide da Times deu duas estrelas e disse que duvida muito que Sean Penn "o imprevisível líder da competição deste ano" vá premia-lo. Por outro lado, o The Guardian disse se tratar de um "trabalho de mestre" com "idéias soberbas e alucinatórias imagens do colapso humano". Em Portugal, Ensaio sobre a Cegueira de Fernando Meirelles só chega em Novembro (!) avisa a Castello Lopes. Aguardemos ansiosos tentando driblar as (elevadas) expectativas.

O humor dos "Contemporâneos"

Fazendo um zapping um domingo destes, dei de caras com a nova aposta humorística da RTP: Os Contemporâneos. Já o primeiro sketch, com o insuportável e insípido Bruno Nogueira, quase me fez mudar o canal mas a piada sobre a menina Madeleine era tão boa que resolvi dar uma chance. Mais do mesmo, como eu já esperava. E o programa até tinha outras piadas boas, como o concurso para avaliação dos Professores, o elevador com excesso de peso... Mas depois - e aqui é aquela parte chata que era inevitável - tudo o que não é genuíno acaba por deixar cair a máscara uma hora ou outra e não há mais nada que o salve do fiasco. Quero dizer, há muitas idéias interessantes por detrás daquilo tudo. Bons actores a dar a cara (Maria Rueff tem talento nato para comédia, Nuno Lopes irreconhecível) etc e tal, mas tem alguma coisa (ou muitas) que no balanço final, não funciona. Não tenho a solução, caso algum indignado me pergunte, mas este é o tipo de humor que se eu quiser ver, basta ligar minha tv em qualquer hora do dia. Com tantos nomes "quentes" nos créditos, era de se esperar algo melhor. É tão cansativo ver aquela tentativa forçosa em fazer humor subversivo (que se resvala para o politicamente correcto alguns minutos depois) passivamente no meu sofá. Aquelas mesmas piadas sobre o PSD, sobre o Benfica, sobre o tema do dia qualquer (e que é matéria-prima nas mãos dos humoristas que estão poraí) já não interessam a mais ninguém. O Herman faz isso, os Gato fedorento, o Inimigo Público, os tipos do Levanta-te e Ri... esqueci de alguém? As vezes fico confuso, é o mercado que está monopolizado? É humor para português ver? O que é certo é que fazer humor sobre nada é mesmo coisa para poucos e eu pagaria para ver. Até lá, vamos nos contentando com estas bobagens.

Ah, já ia me esquecendo, alguém precisa avisar o Nuno Markl que ele a rebolar suas formas arredondadas às câmeras não foi uma idéia lá muito feliz. Se fosse no Brasil, não diriam que ele "pagou um mico" e sim um gorila.